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Quarta-feira, Agosto 24
POR QUANTO VOCÊ SE VENDE?
É mais ou menos como diz a "estorinha do Anel" que recebi e enviei esta semana.
Todos os vasos expostos em um grande mercado. E várias pessoas vão passando, avaliando, pensando: "Qual levar para casa?"
Dentre os tantos e tantos vasos grandes e pequenos, mais ou menos redondos, com formas e até cores diferentes, vai ter sempre alguém que vai levar um pra casa.
Todo mundo quer experimentar, apalpar, segurar nas mãos, olhar bem de perto... Mas, o que acontece é que mesmo sendo submetido a todos estes testes nem sempre somos os escolhidos.
O chefe do RH liga pra você e diz: "Você fez cinco entrevistas diferentes, gastou um dinheiro que não poderia gastar para comprar esta bela camisa para a entrevista, participou de dinâmicas, teve de abrir segredos e manias aos avaliadores, mas, infelizmente, você não se enquadra em nosso perfil desejado."
A professora diz: "Você estudou, passou noites em claro, adquiriu uma tendinite de tanto digitar, perdeu festas e confraternizações com amigos, chateou pessoas, irritou-se muito, mas sua nota não atingirá a média estipulada por nós."
Somos testados e medidos a todos os instantes. Pessoas nos aceitam ou rejeitam de acordo com o perfil que procuram. E nós fazemos o mesmo com outras pessoas.
Isto tudo é armazenado ou não dentro de nós. Nós escolhemos.
Muitas vezes a primeira opção é a que mais acontece.
Esquecemos que nosso interior deve ser livre e limpo para que apenas uma única coisa o preencha: "o tesouro de Deus" (II Cor 4:7).
E conforme vamos deixando as avaliações, palavras e pensamentos nos encherem, nosso espaço livre vai diminuindo e Deus não pode nos encher além da capacidade.
E continuamos pedindo: "Senhor, enche-me de mais de Ti!"
Mas, Ele não pode encher o que está cheio. Lei número um da física, dois corpos não ocupam o mesmo espaço, não dá pra colocar duas coisas no mesmo lugar.
E o que eu devo fazer?
Escolher.
Escolher ser vazio, mais e cada dia mais. Escolher não viver por aquilo que dizem sobre mim, mas pelo que realmente sou.
Apenas vaso. Vaso de barro... Mas cheia da Glória de Deus.
Dedinhos: Baby, Rico e Fá... Obrigada por permanecerem se esvaziando para que Ele os usasse de maneira sobremodo excelente!
Taty 2:21 PM
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Terça-feira, Agosto 16
A VIDA NÃO PRECISA SER PEQUENA
Por: Ed René Kivitz
A vida é muito curta para ser pequena. Pronunciada por um anônimo senhor de 80 anos, lá de Palmas (TO), essa frase grudou no meu coração. Perguntei para um monte de gente o que se podia aprender com ela. Minha filha fez o melhor resumo: "Curta em relação ao tempo, pequena em relação ao significado". Um dos amigos de corrida matinal fez a melhor paráfrase: "A vida pára muito rápido para ser insignificante".
Coisa estranha é essa de gente cujo fim da vida tem sobra de dias e falta de significado. Imagino que Deus olhe para baixo e me aponte para um anjo: "Veja o Ed René, os dias dele estão se esgotando, mas ainda não fez nem a metade de tudo quanto sonhou". Imagino também a mesma conversa a respeito de alguém menos ocupado em viver: "Veja o fulano - ainda têm pela frente muitos dias, mas ele se arrasta como um suplicante que já gostaria de ter encerrado a jornada".
Existem aqueles que passam a vida a sonhar, como avião sem trem de pouso, sempre voando, sem conseguir voltar ao chão. A respeito desses tais a gente costuma dizer que vivem no mundo da lua. Há também os que são rasteiros - caminham como burros de carga, pensos, cabeça voltada ao chão, dispendendo as últimas energias para conseguir mais um passo. Maldosamente se comenta a respeito dos tais que já morreram e esqueceram de enterrar.
O bom mesmo é sobrar significado na vida, ou como se diz no chavão popular: melhor é acrescentar vida aos seus anos do que anos à sua vida. Mas isso não é para qualquer um. Viver é uma arte, e como dizia Guimarães Rosa, é muito perigoso. Fácil é apequenar a vida. Torná-la grande é quase uma graça, graça dos céus.
Parei para me perguntar o que faz apequenar a vida. Ouvi sugestões de muita gente. A mágoa, o ressentimento, e a incapacidade de perdoar, por exemplo, apequenam a vida. Quando alguém não é bem-vindo no nosso coração, tudo que nos faz lembrar a pessoa passa a ser evitado ou fazer mal. Por causa disso, a gente deixa de ir em festa, freqüentar determinado restaurante, ouvir aquela música e acaba jogando um monte de CD e livro fora. Ah, e rasga fotos lindas. A vida fica pequena. Gente, além de fazer falta, é indispensável. Quando esses sentimentos ruins dão as mãos para o desejo de vingança, então, a vida fica tão pequena que parece uma gaiola. Dá arrepios só de pensar.
O medo também faz apequenar a vida. Geralmente o medo aparece quando a memória encontra um arquivo danificado: uma experiência do passado mal resolvida. Cada vez que a gente se vê numa situação semelhante, a memória emocional apita e o medo aparece piscando suas luzes amarelas e lançando gás paralisante para todo lado. O medo do fracasso, da rejeição ou do sofrimento. Por causa do medo a gente perde oportunidades, rejeita ofertas irrecusáveis, evita abrir o coração, vive dizendo mais não do que sim.
A culpa, então, essa sim faz apequenar a vida. Culpa pelo que foi feito e pelo que não foi feito. Culpa falsa e culpa verdadeira. A culpa por frustrar o desejo dos outros, por não conseguir alcançar o padrão estabelecido, ou a mais simples - a culpa por ter feito uma tremenda besteira. Besteira grande tem conseqüências irreversíveis. Os efeitos não são necessariamente ruins, mas porque são resultado de besteiras, geralmente convivemos mal com as tais conseqüências, pois nos lembram sempre das besteiras que a elas deram origem. Culpa das grandes são aqueles que feriram pessoas que amamos. Parece impossível tirar da memória a dor do outro, e seríamos capazes de quase qualquer coisa para voltar ao passado e fazer a curva uma esquina antes. Mas não dá. Como ouvi de uma amiga, a vida é muito curta e não dá tempo de passar a limpo. De fato, não dá para apagar as partes que a gente não gostou e transcrever somente as partes boas. A vida é assim; vai adiante com tudo, luzes e sombras. E alguma escuridão.
O labirinto construído pelo ressentimento, o medo e a culpa é quase sem solução. A maioria das pessoas fica rodando lá dentro, batendo a cabeça nas mesmas paredes e repisando o mesmo chão. Isso significa que ficam reforçando as mesmas emoções, consolidando os mesmos sentimentos e afundando ainda mais os sulcos da pele que desenham o sofrimento. São eles que deixam a pequenez da vida estampada na cara.
Minha vivência pastoral me ensinou que quase todos os conflitos vividos dentro deste labirinto podem ser resolvidos por uma só palavra: perdão. Perdoar quem nos feriu. Perdoar quem nos traiu. Perdoar quem nos rejeitou. Perdoar quem usurpou partes da nossa vida. Perdoar quem não nos aceitou. Perdoar quem nos exigiu demais. Perdoar quem nos exigiu de menos. Perdoar quem desistiu de nós. Perdoar quem nos rogou praga. Perdoar quem fez sofrer as pessoas que a gente ama. Enfim, perdoar um montão de gente, e principalmente, perdoar a nós mesmos.
O problema não é apenas que a vida é muito curta. O espaço de viver é muito estreito. A gente se esbarra o tempo inteiro. E a maioria dos esbarrões tende a nos fazer apequenar a vida. Por isso, o perdão é uma chave que abre portas e nos remete a horizontes cada vez mais ilimitados. Cada esbarrão pode ser transformado num encontro. Cada trombada num abraço. Cada disputa numa partilha. Cada caminhada numa excursão. E se é verdade que uma andorinha só não faz verão, só compartilha o céu quem oferece perdão.
Ed René Kivitz é escritor conferencista e pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo
Taty 2:03 PM
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